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Campanha da Fraternidade - Setembro de 2020

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Dos atuais dezoito moradores do Lar de Idosos Vó Adele, sete tem mais de noventa anos. A Instituição de Longa Permanência para o Idoso (ILPI), como é classificada, fica no bairro Jardim Maluche, e nasceu de um propósito de prestar assistência à logística, vida e saúde do idoso. Os irmãos Ramires e Rauner Farias, juntamente com Marcelo Debrassi, são os sócios responsáveis pelo local.

Muito além da responsabilidade social
Do lado de fora, carros passam diuturnamente na frenética Avenida Augusto Bauer. Mas é no espaço interno do Lar Vó Adele que existe um ambiente harmonioso, em mais 400 metros quadrados que contrastam a vida urbana com a natureza. Neste lar moram dezoito pessoas que dividem não só uma casa, mas também suas memórias, sonhos e experiência de uma vida. 
A história do Lar de Idosos Vó Adele começou, na verdade, bem antes dele existir. O início não foi com a abertura das portas para receber pessoas, mas com a luta da pequena Isabella Maestri Farias, filha do Ramires. Acamada por mais de três anos, passou por vários procedimentos médicos após ser diagnosticada com encefalomielite (doença cerebral), aos seis anos de idade. \"Ela ficou acamada por três anos e oito meses, não se mexia nem falava mais, precisou de fisioterapia. Fomos trocando de profissional até que um dia conhecemos o Marcelo [Debrassi]. Ele trabalhou com ela quase três anos. O Marcelo contou que trabalhava em Lar de Idosos, morou na Itália, lá atendia e até morava com eles\", recorda Ramires. Quando Debrassi retornou ao Brasil, trouxe com ele o sonho de abrir um Lar de Idosos. Surge, então, não só uma parceria entre os três, mas, definitivamente, o \'Lar de Idosos Vó Adele\'.
A pequena Isabella, responsável por unir os três, infelizmente faleceu aos dez anos, mas sua breve passagem entre nós e sua luta para sobreviver inspirou a existência e continuidade do projeto. Três anos se passam desde junho de 2017, quando tudo teve início com a primeira moradora do Lar, a dona Amélia. De lá para cá, são vários os desafios, experiências, novos moradores e equipe de profissionais capacitados que atuam no local 24h por dia.

Atendimentos
Quando não se falava em pandemia, muitas eram as atividades desenvolvidas no Lar. Hoje, elas diminuíram, enquanto outras, foram adaptadas. Entre as atividades, estão apresentações de grupos, profissionais voluntários que fazem visitas e levam seu amor através dos dons. Nas repartições da casa, ecoa o testemunho da saudade da missa. O padre Diomar, por enquanto, não pode celebrar a missa com eles por conta da pandemia, mas todos os meses ele sempre estava lá. Para amenizar a saudade da família, as chamadas de vídeo tem sido um ótimo recurso. \"A gente faz o que é possível se fazer nesta situação\", explica Rauner. \"A gente acaba se apegando a eles, se acostuma com as manias, porque nós temos também as nossas. Aqui é uma casa e é a casa deles\", diz.
O Psicólogo José Airton é um dos profissionais que atende os idosos. Para o ele, o sentimento de gratidão resume sua experiência diária. \"Os moradores nos cativam, tem um jeitinho todo especial de nos tratar e isso ajuda muito no trabalho e na resolução das próprias questões com eles\", garante. Para a Assistente Social do Lar, Patrícia Antonietti, todo cuidado é especial, porque isso marca muito a vida dos moradores. \"Antes da pandemia, tínhamos várias atividades diversificadas, como dança, música, dia da beleza, da oração, com a missa levada pela Paróquia São Luís Gonzaga, apresentações e visitas especiais\", conta.

Relatos da melhor idade
É unanimidade entre os idosos do Lar que os dias sejam de sol e que os peixes do pequeno lago no jardim da casa estejam alegres para entretê-los, ou com fome para serem alimentados.
A Cecília tem 94 anos e foi a terceira moradora do local. Gosta muito de dança e música, pois, no passado, foi bailarina do Teatro Municipal de São Paulo. Ela gosta de tomar banho de sol. \"Porque é bom e fortalece o corpo\", diz. Seu recado para as gerações mais jovens é que \"continuem tratando bem os idosos, como o Lar cuida dela\". 
A Maria Emília completou 93 anos e era professora. Gosta de passear, \'dar uma volta\', como ela define,  para observar o que se passa ao seu redor. Muitas coisas a fazem sorrir quando se trata de lembranças. Reza sempre, comparece às missas no Lar e também assiste pela TV. Aconselha ao mais jovens a \'serem bons para seus pais e para com todas as pessoas\'.
A Luzia tem 90 anos e é uma mulher de muita fé. Recorda com alegria do trajeto que percorria em 40 minutos, com os pais, para chegar à igreja no passado. Gostava de juntar as amigas para brincar e cantar, e isso recorda cantarolando uma de suas canções preferidas. Por isso, o recado que deixa aos mais jovens é para que vivam uma vida feliz. \'Ouçam os bons conselhos. Se puder fazer o bem a alguém, façam\'.
Já a dona Elvira, 85 anos, gosta de fazer qualquer coisa. Se tiver sol, melhor, para poder ir ver os peixinhos na lagoa. \'Gosto de ver quando eles brincam\'. Orgulha-se em ser do Apostolado da Oração. Gosta de lembrar do que a deixa feliz, porque assim, sorri espontaneamente. Para as gerações futuras, aconselha \'ter fé e orar bastante\'. 
A dona Arzerina, de 83 anos, era caminhoneira. Era ela quem dirigia o caminhão, que tinha como parceiro de viagem seu esposo, no banco do carona. Geraldo ia sempre na porta, e era ele quem ouvia dos companheiros de estrada: \"Olha, cuida dela, porque se ela cair, nós juntamos\", recorda em gargalhadas. Hoje, ela gosta de ver e tratar os peixes do Lar.
Chamam dona Maria Escolástica de italiana. Ela tem 93 anos e considera todos os moradores da casa seus amigos, porque para ela \'somos todos iguais\'. Gosta de ver os peixes, de rezar, mas diz que não reza muito: agradece, porque tudo que pediu, já teve. Gosta de andar no sol, de sossego e a calmaria da sombra das árvores. \'Jovens, divirtam-se, façam coisas boas, dancem, cantem, espero isso de vocês\'. 
Poema da Antonieta, 93 anos, que até já lançou livros - \'Aquele meu pedacinho de chão, da minha terra natal, tinha uma roça de milho e também um canavial. Ainda sinto o cheiro do pé da estrada, aquele barro vermelho, e o canto da passarada. A lua iluminava o meu pedacinho de chão, a gente jantava na rede, tocava o violão e cantava uma canção. Os jantares eram tão lindos, tão emocionantes, que até fazia chorar, daquela mesa farta para o jantar. Às seis horas, na hora da Ave-Maria, lá longe tocavam os sinos da capelinha. A gente juntava as mãos e fazia uma oração. Eu levantava de manhã cedinho, botava meu avental, tomava um café ligeirinho, e ia fazer o trato, lá para o lado do milharal. Já perto da madrugada, então o galo cantava e começava a confusão. Mas o tempo foi passando, a idade foi chegando e a gente foi cansando, e obrigada a mudar. Só ficaram as saudades, machucando o coração, daquele meu pedacinho de chão\'. 

 
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