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Carta aos paroquianos

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Neste domingo, 31 de maio, a Paróquia São Luís\r\nGonzaga emitiu uma carta aos paroquianos e, de um modo especial, às lideranças\r\nda Matriz e das 11 Comunidades. O documento é fruto de uma reflexão entre os\r\npadres sobre este tempo de pandemia e os aprendizados também trazidos pelo\r\ndistanciamento social provocado pelo novo coronavírus. Leia o documento na íntegra abaixo:

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Brusque, 31 de maio de 2020.

Às lideranças de nossa paróquia, 

Aos agentes de pastoral e movimentos

Aos caros fiéis

Saudação e bênção.


Nesta festa de Pentecostes, recebemos o Espírito Santo que nos ensina e nos recorda tudo (cf. Jo 14,26). Iluminados pela Sua Luz e fortalecidos pelos dons do Espírito Santo, enviamos esta reflexão que quer nos ajudar a responder às inspirações divinas.


Estamos vivendo um tempo histórico muito particular, marcado por sofrimentos, inseguranças, incertezas, fé, esperança, etc. Este tempo também nos oportuniza fazermos uma revisão e repensar processos de nossa vida para que saiamos fortalecidos, renovados e iniciemos uma nova maneira de viver. Também na dimensão eclesial temos essa oportunidade. Somos chamados a retomar nossa caminhada paroquial de maneira renovada e colocando em prática os ensinamentos colhidos neste período.


Apresentamos aqui alguns desses ensinamentos, aos quais poderão ser acrescidos outros, a serem refletidos e aprofundados para que nos ajudem a cumprir o objetivo geral de nosso plano de pastoral paroquial 2020-2023: evangelizar, iluminados pela Exortação Apostólica do Papa Francisco (Evangelii Gaudium), em sintonia com as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2019-2023, inspirados pelo 13º Plano de Pastoral da Arquidiocese de Florianópolis 2012-2022, visando construir a Comunidade Eclesial Missionária para celebrarmos em família os 150 anos de criação da paróquia São Luís Gonzaga (1873 – 31 de julho – 2023), como sinal e instrumento da presença efetiva do Reino, na sociedade. 


1. Somos uma paróquia, constituída da Matriz e mais onze comunidades; ela é conduzida por um pároco e mais cinco vigários paroquiais. Mesmo sem atividades nas comunidades, a Paróquia continua viva, seguindo sua missão: evangelizamos a partir da igreja Matriz (a sede da paróquia) através das celebrações – transmitidas e também de forma presencial –, dos atendimentos dos padres na secretaria da Matriz e a presença nas situações extraordinárias da vida de nossos fiéis (enfermidade, sepultamentos, etc). A vida administrativa continua seu fluxo normal: mesmo com as comunidades fechadas, sem muitas receitas, em nível de paróquia continuamos tendo nossas despesas ordinárias da qual todas as comunidades são responsáveis. Se outras pastorais estão suspensas, a PASCOM, a liturgia e o canto litúrgico, os ministros extraordinários da Sagrada Comunhão, a pastoral da acolhida e a ação social continuam sua missão, ainda que de forma extraordinária.

Pensemos: como nos sentimos vivendo este espírito de comunhão e unidade paroquial a partir da nossa casa mãe, que é a igreja Matriz?


2. Redescobrimos que a PASCOM (pastoral da comunicação) é de fundamental importância para a missão da Igreja, não só como informação e formação, mas como evangelização através de tantas novas possibilidades que temos experimentado neste tempo: transmissão das missas, séries de testemunhos, mensagens dos padres, vídeos diversos, imagens da nossa caminhada de fé.... Constatamos que há muito o que pode ser feito pelas redes sociais se envolvermos pessoas com dons para isso! 

Pensemos: como teriam sido esses dias de espírito paroquial sem o apoio dos agentes da PASCOM e sem todo o suporte da comunicação que temos ao nosso alcance?



3. A ação social é uma riqueza na vida de nossa paróquia. Unimos neste tempo a solidariedade do povo, a organização e o empenho dos nossos agentes de pastoral nesta dimensão, a criatividade de diversas pastorais, movimentos, empresas e outros grupos, em prol do cuidado da vida dos que sofrem as consequências da pandemia e de outras tantas situações da vida. Estamos vivendo a Campanha da Fraternidade 2020, vendo, sentindo compaixão e cuidando do outro, para além da quaresma, como todos os anos deveria ser. 

Pensemos: como valorizamos e apoiamos as ações sociais de nossa Paróquia no contexto ordinário e o que mais podemos fazer para intensificar a promoção humana?


4. Os padres que atuam em nossa Paróquia são membros de uma família religiosa – dehonianos. Se o ritmo da vida pastoral mudou, a vida comunitária, marcada pela oração, estudo, convivência e cuidado do outro continua seu ritmo normal e foi fortalecida neste tempo... Nestes dias, através das redes sociais, nossos paroquianos e também familiares e amigos de tantos lugares puderam adentrar à casa paroquial para viver conosco momentos da nossa espiritualidade e de nossas celebrações comunitárias, sentindo nossa alegria e comunhão fraterna. Foi a primeira vez, por exemplo, que celebramos juntos a Semana Santa fazendo desses dias, sem grandes atividades pastorais, momentos de interiorização e retiro pessoal e comunitário.

Pensemos: como nos sentimos podendo experimentar a fraternidade de nossos padres? Como entendemos, agora, as dimensões da vida de nossos padres: pastoral, comunitária e espiritual?


5. Na dimensão litúrgica, ápice de nossa fé e de suma importância para a vida de nossa paróquia e da Igreja, aprofundamos nosso entendimento sobre a importância do ano litúrgico, o valor que a Semana Santa tem para nós em todas as suas manifestações de fé e piedade. Redescobrimos o valor do domingo como dia do Senhor, da família e da participação na comunidade para a celebração da Santa Missa. Aprendemos ainda mais sobre o zelo e o cuidado que devemos ter na preparação da liturgia (ambientação, cantos, etc), se estamos em casa ou na igreja, independente se a celebramos somente entre os padres, com pequeno ou grande número de fiéis. Vivemos celebrações sóbrias, mas cheias de vida. Redescobrimos o valor do silêncio nas celebrações e o exercício de concentração que precisamos fazer para celebrar bem (em casa ou na igreja), a importância do olhar voltado para o altar da Palavra e da Eucaristia. Entendemos que rezamos com cada canto que entoamos, que muitos comentários durante a celebração não são necessários, que a ambientação discreta e bem feita ajuda a rezar. As normas sanitárias milimétricamente seguidas, nos fazem refletir o porquê de não seguirmos com mesmo zelo às normas canônicas ou de nossa paróquia.

Tivemos momentos de adoração ao Santíssimo Sacramento, com pelo menos 30 minutos de exposição do Santíssimo Sacramento, pensados e preparados com antecedência, que nos ajudaram a perceber a importância do silêncio para a oração pessoal, através de roteiros mínimos que nos introduzem à oração com cantos, leitura da Palavra de Deus e orações, deixando a devoção mariana para um momento específico. 

Pensemos: como manteremos esse espírito litúrgico em nossas comunidades? Como nos empenharemos na preparação das celebrações em todas as suas dimensões? Como organizaremos nossos momentos de adoração a partir de agora? Com que espírito participaremos das celebrações e valorizaremos o domingo?


6. A devoção à Nossa Senhora é um valor precioso na vida da Igreja e um tesouro a ser cultivado e aprofundado em nossa paróquia. A oração da Ave Maria, a oração do Santo terço e a organização do jardim de Nossa Senhora são expressões visíveis de nosso afeto filial à Maria. Isso tem sido vivido no interno de nossas casas e também por diversos grupos através das redes sociais.

Pensemos: Em nossas comunidades o que faremos para continuar alimentando a devoção à Nossa Senhora? Que tempo encontraremos em nossa agenda para manter a riqueza de rezar juntos em casa e em grupos – mesmo que online?


7. Uma das marcas de nossa paróquia é a festa dos padroeiros, momento forte de confraternização e maior fonte de renda de nossas comunidades. Este tempo que não nos permite a realização delas, somada a tantas novas exigências que anualmente temos que cumprir, nos incentiva a redescobrir o valor do dízimo, formando a consciência de nossos fiéis para a missão que nos ajudam a realizar através de sua oferta.

Pensemos: como fortaleceremos a Pastoral do Dízimo? Que estratégias usaremos para que nossos fiéis entendam e assumam este compromisso com a Igreja?


8. O ritmo ordinário de nossa vida paroquial é marcado por diversos momentos de reuniões... nossa agenda que o diga. Descobrimos neste tempo que podemos otimizar muitas de nossas reuniões, buscando espaços virtuais e contatos diretos, e que podemos delegar funções e responsabilidades. Precisamos redefinir nossas reuniões, sabendo distinguir quando nos encontraremos para rezar, para planejar e avaliar, para apenas comunicar, sabendo convidar para cada momento apenas aqueles realmente necessários para o momento. Usando dos meios sociais, evitamos tantos papéis, impressões com pautas, projetos etc.

Pensemos: como reestruturaremos nossas reuniões? Que constância, objetividade e pontualidade daremos a cada encontro? Que meios virtuais poderão nos ajudar a otimizar nossas reuniões?


9. Ao longo deste tempo faleceram muitos de nossos fiéis. Os velórios foram limitados para poucas pessoas, os sepultamentos foram rápidos e as missas de sétimo dia online ou com poucas pessoas. Mas a Igreja esteve lá, celebrando as exéquias e recordando que esta é uma obra de misericórdia da qual devemos sempre valorizar.

Pensemos: como vivenciamos esta obra de misericórdia quando morre alguém de nossa família, de nossa comunidade, de algum de nossos grupos? Como nos solidarizamos com a família enlutada?


10. A Igreja sempre valorizou a família como um dom a ser cultivado e valorizado e a reconheceu como Igreja doméstica. Viver o isolamento nos fez perceber essa riqueza. Em nossas casas tem tido mais oração; os pais estão sendo os catequistas, os professores e os educadores de seus filhos; há mais tempo para o diálogo, a convivência e o descanso. Na paróquia, a pastoral familiar tem a missão de acompanhar e evangelizar as famílias em todas as suas dimensões.

Pensemos: que empenho faremos para continuar cultivando estes valores que estamos vivendo? Como conjugaremos as outras dimensões da vida pessoal e familiar para manter em cada casa uma Igreja doméstica? Como a pastoral familiar pode ser renovada e fortalecida em nossa paróquia, e inserida em nossas comunidades?


11. Os jovens são uma riqueza para o presente e o futuro da Igreja, chamados a serem protagonistas na missão. O fato de não podermos ter em nossas equipes pessoas do grupo de risco faz com que as comunidades ampliem o espaço para os jovens e outras pessoas ainda não envolvidas nas atividades pastorais e diversas funções litúrgicas. Esses dias têm sido também tempo de descoberta de novos agentes e de novos dons para as comunidades e oportunidade de inclusão de novas pessoas e grupos para o bem da Igreja.

Pensemos: como aproveitaremos tudo isso para realizar o processo de renovação sempre necessário nas comunidades? Como integrá-los, depois da pandemia, com os que já estão inseridos na missão? Como continuaremos acolhendo os novos que se dispõe a servir?


12. A vida sacramental nos fortalece no caminho da santidade. Estão suspensas as celebrações do Batismo; foram adiadas as celebrações de Primeira Comunhão, Crisma, Matrimônio; pouco a pouco estamos retomando as Confissões e as Santas Missas. Aos que já estavam preparados para receber algum sacramento fica o ardente desejo de o receber; àqueles que ainda não se prepararam há a preocupação do tempo que passa e a necessidade de conjugar a preparação pela catequese e a data desejada para a celebração do sacramento.

Pensemos: o que e como faremos para que esse ardor sacramental permaneça vivo na vida mesmo depois de ter recebido o sacramento? Como motivaremos nossos fiéis para que priorizem e procurem sempre com antecedência as informações e as catequeses de preparação aos sacramentos?


Eis o que nós, padres, temos pensado e partilhado sobre a caminhada pastoral, sacramental e evangelizadora neste tempo. Continuamos comprometidos, empenhados e abertos à ação do Espírito Santo para que conduza nossa Paróquia à vida nova que se abre neste novo tempo que começamos a viver.


Por intercessão de São Luís Gonzaga, nosso padroeiro paroquial, e dos santos padroeiros de nossas comunidades, Deus vos proteja, ilumine e abençoe.


Pe. Diomar Romaniv, scj

Pároco


Vigários paroquiais.


 
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